23 de maio de 2011

Papo sério sobre a TV brasileira

Aconteceu na semana passada o 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, idealizado pela revista CULT, com apoio da rede SESC em São Paulo. Nomes  atuantes na cultura e no jornalismo nacional e internacional estiveram dos dias 17 à 20 de maio na unidade Vila Mariana do SESC, para uma série de debates. As discussões foram generosamente disponibilizadas no canal do Portal SESC SP no Youtube. Dentre as  que merecem destaque, está a mesa que tratou sobre a (problemática) televisão brasileira. O tema: “O papel da televisão no âmbito da cultura”, reuniu Márcia Tiburi (filófofa, professora universitária e escritora), Zico Góes (diretor da MTV Brasil) e Valter Sales (gerente executivo do SESCTV), com a mediação de José Augusto Camargo (presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo). A influência histórica da TV na vida dos brasileiros, a publicidade, a questão da educação x entretenimento são algumas das vertentes tratadas pelos profissionais em uma hora e meia de provocante conversa. Logo abaixo segue o vídeo da palestra na íntegra. Abaixo do vídeo, a transcrição de uma parte da declaração inicial da filósofa Márcia Tiburi. O debate é quente! Vale o play.




33min. “A televisão exerce sobre nós, de fato, uma ditadura (...) Porque o problema da televisão não é apenas o conteúdo. Quando a gente vê aquele conteúdo de domingo da TV aberta, aquilo é fascismo puro (...) A televisão de domingo pensa que a pessoa que está do lado de lá é um escravo, idiota, ignorante, burro, que não tem a menor condição de ser inteligente e que tem que engolir aquele tipo de coisa (...) ‘Se você pensa que as massas são idiotas ou se você pensa que elas têm potencial revolucionário, você é fascista ou não’. A televisão que pensa que as massas são idiotas - que elas têm que assistir aqueles programas imbecilizantes, com conteúdo imbecilizante, para que aprendam a assistir direitinho aquelas propagandas imbecilizantes, para elas terem o ato imbecilizante do consumo, pra pagarem em 10x aquele objeto no carnê, que elas não precisam - essa televisão é fascista. E existe uma tentativa de muitas pessoas de tratarem as audiências não como imbecis e daí dá pra gente começar a pensar numa televisão que não seja fascista (...) Conteúdo é uma questão de ética, a forma é um problema metafísico, estético e político muito mais grave.

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